segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Cleópatra





Essa é a Cleópatra.
Na verdade, antes era apenas um gatinho recém-nascido que estava fazendo zoada no quintal do meu namorado.


Esse é o meu namorado.
Na verdade, antes era apenas um menino de quem eu não gostava nem um pouco...

Pois é, ainda bem que as coisas mudam!

Voltando ao gatinho no quintal, o Pedro e o irmão dele pegaram o bichano, e o Pedro não só o acolheu no seu quarto, como também fez milhares de pesquisas na internet para coletar informações diversas sobre o mundo felino. Descobriu que havia uma forma de "imitar" o leite de gato:
-1 e 1/2 copo de leite de caixa
-1 gema de ovo
-2 colheres de sobremesa de creme de leite
-1 colher de café de açúcar
Claro que o gatinho só aceitava o leite reconstituído se fosse bem morninho!
Outra coisa que ele descobriu, para seu desprazer, é que os felinos quando filhotinhos só realizam suas funções eliminatórias se a mãe (ou substituto!) estimular a região. Sim, é exatamente isso o que você está pensando... Tive impagáveis muitos momentos de risada vendo a cena do Pedro fazendo a pobre gata rebolar e miar atritando algodão nas áreas baixas da bichana.
Momento ciência: a explicação evolutiva para o meu namorado - e eu também - ter passado por esses momentos humilhantes é que, se os filhotes de felinos selvagens (que têm forte parentesco com os domésticos) defecassem ou urinassem conforme o comando do organismo, poderiam ser mais facilmente farejados por predadores. Assim, aqueles que "perderam" a capacidade de fazer as necessidades fisiológicas voluntariamente foram selecionados! Detalhe insólito: para não deixarem rastro, as mães, após lamberem o períneo de seus filhotes, comem (an-ran) as excretas... Mãe é mãe, né?!
Agora falando de coisas agradáveis, tem sido emocionante acompanhar o desenvolvimento dessa gatinha: no começo, era só input, output (sob estimulação, claro) e sono. Era só abrir a caixa de sapato forradinha com pano que o Pedro providenciou, pronto - miadeira no meio do mundo! Depois da mamadeira, passava um tempinho, dito e feito - mais chororô; aí a gente, já sabendo o que nos esperava, já molhava o algodão na água (morna também, faz favor). Ah, muitas vezes, do nada - miadeira louca! E quando se sujava toda de coisas sólidas e líquidas? Sim, mais miado de abalar os tímpanos.
Ao longo de um mês, acompanhamos as mudanças de ciclo circadiano, postura, tamanho, comportamento e hábitos alimentares. O jeitão de andar e ensaiar corridas ainda é muito engraçado, pois as patas traseiras quase que atropelam as dianteiras;os miados, para o regozijo otológico de todos, ficaram ocasionais e toleráveis; os reflexos estão ficando mais apurados; os comportamentos instintivos, como mexer o rabo, lamber o corpo e coçar-se com as patas traseiras, estão progredindo a cada semana; ela já está bebendo leite no pires e se preparando prá enfrentar a ração; e, o mais importante de todos, aposentamos o algodão!
Ah, uma curiosidade fofa: ela ronrona feito um motor, e independentemente do seu grau de satisfação com o mundo.


 Se antes nossas preocupações eram relacionadas à extrema dependência da Cleópatra,  agora elas se direcionam para o outro extremo, a autonomia. Não que não haja espaço prá ela, mas é que a casa tem um morador muito territorialista, com personalidade prá dar e vender: o Faraó, um gato que merecia uma postagem só dele, que depois vou providenciar. Enfim, ele tem uns sete anos, se não me engano, e até agora os encontros provocados com a pequena Cleo não têm sido lá muito amistosos.
Encerro aqui transcrevendo Arthur Schopenhauer:

"A compaixão pelos animais
está intimamente ligada a bondade de caráter,
e quem é cruel com os animais
não pode ser um bom homem
."

Pedro, tu é gente boa! ;)

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