sábado, 4 de maio de 2013

Beija eu...

Se o beijo não existisse, estaria nessa triste assertiva a prova fatal de que a espécie Homo sapiens não era dotada de inteligência.



Dentre os muitos momentos históricos que gostaria de ter presenciado, um deles é o primeiro beijo. Não sabendo dos prazeres físicos e mentais óbvios que esse ato pode desencadear, resta-me imaginar que, como muitas outras grandiosas invenções humanas, o beijo nasceu por acaso.



O beijo traz em si um simbolismo muito forte: ao unirem os lábios, as pessoas se provam, se comungam, partilham a si mesmas; naquele instante, são um. A boca é um orifício de entrada; quem dá acesso a ela, expõe seu interior, sua intimidade. Embora o beijo seja quase tão banalizado atualmente como a palavra amor, é impossível abrir mão dele; enquanto podemos expressar uma palavra profunda como essa usando outros significantes, o que pode substituir um beijo?!



Embora poucas coisas se comparem ao êxtase de se perder dentro da boca do seu amente, fazer isso sem recorrer aos outros sentidos soa tão incompleto quanto superficial, até falso. Aliás, o grande trunfo do beijo é não ser apenas um beijo; trata-se de perceber e receber o outro de várias formas ao mesmo tempo. Cheirar, olhar, tocar, ouvir, tudo isso também forma os pilares de um beijo.



A fome é o melhor tempero, dizem por aí. Penso que, enquanto se tiver fome de beijar, o relacionamento estará seguro.

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