quarta-feira, 15 de junho de 2011
Dia 2 (14/6/2011)
Das muitas coisas legais que vivenciei em criança no colégio, lembro como curtia especialmente quando a "tia" pedia aos alunos para se sentarem no chão e distribuía papel madeira e os respectivos materiais (cola, canetinha, tesoura, cola colorida...), que, somente nessas ocasiões especiais, eram retirados de dentro do grande armário metálico que ficava num dos cantos da sala. Às vezes, no dia anterior, a tia pedia que trouxéssemos caixas de remédio vazias; com ou sem o fator surpresa, eu gostava muito desses momentos.
Pois revisitei essa sensação gostosa quando, ao abrir a porta da sala H, deparei com homens e mulheres sentados pelo chão, a maioria descalça, fazendo recortes de revistas, embalados por uma música ambiente.
A cada um foram dadas quatro folhas de papel ofício, que seria a base para colarmos recortes que denotassem nosso estado de espírito ou qualquer comunicação desejada.
Como a própria profa Fátima falou, não há como comparar duas obras, já que padrões e motivações distintos estão em jogo. Porém, identifiquei-me com alguns trabalhos: um com uma grande bússola formada por recortes que denotaram valores e atividades importantes para a autora; um com uma ideia sequencial envolvendo a denúncia da atual conjuntura sociopolítica, mas também a presença da esperança de transformação pela revolução individual-social; um com atividades que a autora faz para descansar da loucura cotidiana do pré-internato.
O que me chamou atenção foi a diversidade de motivações por trás de cada figura colada. Veio-me à mente uma imagem que fiz um dia para estudar psicopatologia comportamental: alegorizei a interação homem-meio com um café sendo preparado, em que o café em pó, puro, é a psiquê do indivíduo (inteligência, temperamento, pulsões...), a água fervente são as interações sociais, o filtro são as leis sociofamiliares e as experiências de vida, e o café coado são o comportamento e as representações cognitivas de cada ser. Assim, cada pessoa é fruto de um processo de interação entre essas complexas variáveis, e esses trabalhos denotaram muito bem a individualidade da interpretação da experiência do viver.
Prá finalizar, aqui está o meu painel.
PS: Essas pessoas ao lado da Estátua da Liberdade são o Restart...
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